Homem sem escrupulos é uma vergonha.
Violação sexual e assassinato de uma mulher. Que triste!
Na noite de 21 de Setembro de 2010, a Televisão Record Moçambique reportou no seu espaço jornal da noite, um caso de violação sexual onde a vítima era uma mulher jovem. O acto foi praticado por um homem que depois de a violar assassinou-a.
Eu condeno com bastante viemência este acto macabro e espero que a justiça seja feita. À familia enlutada, envio as mais sentidas condolências.
Infelizmente, casos semelhantes acontecem com certa regularidade no nosso país. Mas o que se passa na cabeça de nós “HOMENS”? Espero que não fiquem admirado pelo destaque que faço ao homem neste artigo que estou escrevendo com um grande sentimento de dor, aliás, muita dor por conta deste triste acontecimento e por outros semelhantes que acontecem em quase todas partes do mundo. A razão do destaque, prende-se ao facto de que as mulheres constituem na maioria da vezes as maiores vítimas das diversas formas de violência em comparação aos homens e que, estes actos são na maioria perpetrados por homens.
O que se passa com nós homens?
Na verdade, pretendia perguntar: O que se passa na cabeça desses homens que tendem a praticar actos de tamanha barbaridade? Sei que nem todos homens são assim e eu congratulo-me com isso e apelo que continuem a pautar por esse caminho de amor e compaixão pois, agindo desta forma, estão a contribuir grandemente para o desenvolvimento harmonioso deles mesmos, das mulheres, crianças e da sociedade no geral.
Mas, porque alguns homens acham-se com direito de fazer tudo o que lhes apetecer numa mulher, mesmo sem o consentimento dela? Eu acho que estes, tem muito ainda que aprender em relação ao AMOR e quem ama respeita. É necessário amarmos a nós próprios para sabermos amar uma mulher.
Algumas normas sociais de masculinidade que são uma tradição milenar e que foram passando de geração para geração, têm representado hoje, algum perigo se tomarmos em conta que o facto de o homem sentir que é “mais forte”, tem mais poder em relação a mulher e mais ainda, que, em muitos casos sabe que não sofrerá qualquer tipo de julgamento por parte da sociedade excepto quando atinge o extremo.
Qual é o extremo afinal de contas?
O extremo para a sociedade é a mutilação de uma das partes do corpo da mulher ou a morte. Tudo o resto ainda é considerado normal. O homem pode violentar de várias formas uma mulher desde que não a tire um olho, ampute-a um braço, ou a mate. Haja sentimentos. Já paramos para pensar o que significa sofrer uma violência? Aliais, quem é que nunca foi violentado nesta vida? Portanto, sabemos o quanto doi e temos noção dos danos que uma violência pode causar, pelo menos alguns danos, porque se soubessemos de todos talvez agíssemos diferentes.
Não podemos tolerar a violência. Em Moçambique já temos uma lei, em vigor, contra a violência. Qualquer situação de violência seja, que estivermos a presenciar ou a sofrer, devemos imediatamente comunicar as autoridades policiais para os devidos procedimentos. Mas paralelamente a isto, vamos também intensificar as acções de prevenção. Precismos de falar abertamente sobre estes assuntos, entre homens, mulheres, jovens, crianças, líderes de opinião, etc... eliminarmos aquelas atitudes que só prejudicam, temos que salvaguardar o respeito pela cultura e os direitos humanos.
Imaginem só! Se o infeliz que cometeu estes actos macabros soubesse amar... naturalmente, teria procedido de outra maneira, teria optado pelo diálogo para resolver “o problema” (pressupondo que houve alguma razão) porém, nada justifica a violência e muito menos os actos praticados. Espero sinceramente que a justiça seja feita. Aparentemente, o suspeito era um namorado da vítima. Este, que é casado com uma outra mulher e tem filhos, segundo o relato da irmã da vítima, que igualmente, deu a enteder que, ele já vinha com alguns comportamentos pouco abonatórios em relação a esposa.
Não consegui apurar a idade da jovem, mas segundo a reportagem ela era uma estudante de 9ª classe. O sujeito simplesmente acabou com tudo, tudo desta jovem incluindo os sonhos. Não tinha esse direito. Ninguém tem esse direito. O sujeito que praticou estes actos é um criminoso e deve ser punido exemplarmente.
Quanto a minha pergunta, (o que se passa na cabeça.....?) não sei se a resposta seria tão simples assim: “falta de escrúpulos” ou esse homem é um psicopata, ou outra coisa ou simplesmente um assassíno. Eu não sei, se alguém poder me ajudar, por favor não hesite partilhar a sua resposta comigo. Justiça seja feita até porque, nada justifica estes actos.
Voltando ao destaque que faço ao Homem.
Está mais do que claro que o homem tem um papel fundamental para a redução/eliminação dos vários problemas sociais que afectam a sociedade e que muitos deles são provocados por ele mesmo. Portanto, nós homens somos parte dos problemas e temos que ser parte da solução. Acredito que somos capazes. Se olharmos para todas as questões que ladeiam as normas sociais de masculinidade e sobre tudo a questão do poder que temos, dá para concluir rapidamente que a solução depende mais de nós do que delas. Que tal amarmos? Que tal respeitarmos os direitos humanos? Que tal desencorajarmos actos que atentam aos direitos humanos? Que tal livrar-mo-nos de todas aquelas práticas que só nos prejudicam a nós e aos outros? Temos “a faca e o queijo” na mão. Tudo depende nós.
Lembrando que cada um de nós, dando esse contributo, estará contribuindo grandemente para o desenvolvimento harmonioso de si, da mulher, criança, família e sociedade em geral, que aliás, é nosso dever como homens.
Parabéns a TV Record por ter reportado este caso e espero desde já, que sigam-o até ao final ou melhor, até ao acórdão do tribunal. Gostaria de ver nos Media a setença deste caso e de outros semelhantes. Uma das formas dos Media contribuirem para desenvolvimento é esta, através dos meios de que dispõem desempenhar o seu papel de Informar, Educar e Comunicar. Extendo este apelo à todos Órgãos de Comunicação social que operam em Moçambique. Vamos reportar os casos e acompanharmos do mesmo jeito que fizemos quando se trata de mega escândalos envolvendo grandes figuras.
Maputo, 21 de Setembro de 2010
Gilberto Macuacua
Olá Gilberto
ResponderExcluirObrigada pelo envio desta msg. Embora seja um choque assistir casos destes que cada vez são mais frequentes, é salutar os órgãos de comunicação social e as pessoas como tu, Gilberto, tornarem público e repudiarem estes casos. Só assim podemos contribuir para reduzir este fenómeno da violência. É necessário dar visibilidade e denunciar os actos e mostrar a causa principal ligada as desigualdades de poder entre homens e mulheres e a vigência de normas de masculinidade que configuram tais práticas.
Continuemos a lutar por um mundo sem violência.
Um abraço
Ana
Oi Betto lí anteciosamente este caso muito triste, e doloroso nimguem tem direito de tirar vida a outra pessoa. onde é que estamos meu Deus esse tipo de homem é assassino é sem escrupulo é um doente mental, que nem devia existir neste mundo eu as vezes penso que se houvesse pena de morte para quem mata propositadamente talvez esses malfeitores iam mudar o comportamento ou podia ter medo de serem morto. força amigo um abraço.
ResponderExcluirSolidarizo-me com a tua posicao.
ResponderExcluirSaudacoes
Bernardino Abel - Cruz Vermelha de Mocambique
Hi All,
ResponderExcluirGilberto thank you for sharing with us your viewpoints about this sad & fatal occurrence.
I had a closer look on the individuals & organizations which were copied on this email which range from UN agencies, Norway Embassy, Local & International NGOs and CBOs, sociologists, researchers, etc, most of which are directly or indirectly involved in efforts aiming at fighting violence towards women & in helping promoting a more equal Mozambican society.
I think that the root causes of cases of violence towards women, should be analyzed from an ideological, societal viewpoints coupled with patriarchal processes and tendencies, to help us understanding the rationale and justification for the problem.
The kind of bold and assertive behavior that men tend to exhibit in all spheres of our society create major problems including their relationship with Women. According to Mozambican traditional male gender norms, men are encouraged to equate a range of harmful behaviors—such as using violence, having tough sex & dominating women—with being manly. I personally think that this is exactly the kind of attitude that leads to the increasing number of sexual & physical assaults perpetrated against women & girls all over Mozambique.
As far as this particular case is concerned, I believe that other concurrent factors outside tradition, male authority, need for power & control may have contributed to the manner this crime was committed. It seems to be that this case embraces multidimensional factors including Personality Types and therefore cannot be defined narrowly. Men with certain personality characteristics are more inclined towards violence than other Men. There are personality disorders that are considered as high risks for women battering such as the Antisocial Personality widely known as Psychopath. Whatever the case, this was an violent act & justice must be made. (1) Cont....
(2).... There was another case of violence, that was reported on the Mozambican TV channel Soico yesterday Septembers 22th, 2010. This was the case of boy who fatally strike his father with a stick in order to prevent his father from physically abusing her mother.
ResponderExcluirI agree Gilberto on this one: Since Men and Boys are the main perpetrators of the violence committed against women, they should be involved into the solution process.
But how?
I would like to share with you all some of the ideas I have & which I was able to acquire through my first hand experience in the area of Gender & Men & Boys Approaches, and that I believe can be readily implemented towards fighting GBV and ultimately creating a more safe & healthy society in the years to come:
1. Addressing the socialization of Men and Boys: I think that this process should focus mainly on addressing the socialization of Men and Boys by challenging and deconstructing harmful stereotypes around what it means to be "real men" whilst promoting more equitable behaviors among men (Husbands, Boyfriends, Fathers, Brothers, Uncles, Male Friends, etc) away from attitudes and behaviors that undermines Women & Girls position in society.
2. Commit to sustainable funding: I would like to recommend that additional resources be allocated or secured through donors such as UNIFEM, UNFPA, Norway embassy as well as other donors to adequately support Mozambican Civil Society Organization (mostly at grassroots alliances & groups) and other key partners in addressing harmful gender norms as a strategy for Gender Based Violence prevention.
3. Fully engage Government Institutions: I think that creative and persistent efforts to involve government bodies such as Ministerio da Mulher e Accao Social, Educacao e Cultura, are necessary to ensure that Men & Boys engagement work is seen as legitimate and important and an investment for the future. I think that donors & HOPEM could make an active role in this task. An example of donor’s full engagement could be mandating their core partners to build their capacity on gender strategies.
4. Conduct comprehensive formative research: Since different parts of Mozambique are very diverse in terms of traditions, culture & gender roles, I think it is really important to conduct comprehensive formative research to look at gender norms generally, identify important regional and ethnic differences within the country, and start to understand the specific links between violence against women and gender norms particular to each Mozambican setting. I am aware of certain studies have been conducted in Mozambique throughout the years but I feel that more comprehensive research should be conducted to capture gender patters since these are dynamics and have the potential to change over time. I understand that formative research requires time, financial resources, skills & knowledge up front. However, I believe that this is imperative & qualitative data would help shape and guide the development and adaptation of Behavior Change Communication & IEC materials to prevent such acts or just to rehabilitate or the perpetrators. (cont)....
(3)Cont... 5. Dissemination of the Law on Domestic violence: Since we already have a Law (which I see it as a great achievement) on Domestic Violence criminalizing acts of this kind, I would like to recommend all the readers; members of HOPEM; UN agencies (UNIFEM & UNFPA), civil society groups to increase their support in efforts aimed at disseminating the New Law so that all Mozambican society can be informed about this Law that was designated to protect Mozambican women. I think that this action could be materialized either through funding or provision of training to grassroots organizations on ways to better interpreting & disseminating the law to the communities that they serve.
ResponderExcluir6. Strengthen the national advocacy efforts: I think that HOPEM could play an active role in this task by recruiting additional member organizations nationally so that it can work as an effective in country resource and advocate for engaging men in fighting all forms of violence towards women. I also think that the commitment and full participation of grassroots organizations (on a nation wide scale) & crucial partners such as donors & governments bodies is critical to ensuring the effective and long-term sustainability of male engagement work.
Well these are some of thoughts I had & felt would be useful to share with you all, so that together we help shape a society where Women & Girls are protected, respected and are entitled to the same rights and opportunities as Men & boys.
Thank you all for your time & patience to read to this message. And thank you Gilberto for giving me the opportunity to comment and to share my vision on the matter in hand.
Together we will fight GBV!
Sincerely,
Celma
Thank you por postares e te debruçares sobre este aspecto social. Minha teoria é de que como Africanos perdemos o Norte há uns séculos atrás, e estamos a involuir, a concentrar a nossa vida em funcao dos insintos animalescos e sem moral nem regras.
ResponderExcluirQuero que entres em contacto com um amigo, em JHB que trabalha muito com jovens. O nome dele é Amani Buntu.
o email dele é:
buntu@ebukhosinisolutions.co.za
Vais gostar muito de o conhecer.
Beijinhos,
Melita
Caro Gilberto,
ResponderExcluirEm primeiro lugar, gostaria muito de lhe agradecer por me enviar os documentos - ontem e hoje - sobre este assunto que muito nos toca, pela forma como o aborda neste artigo.
Muito obrigada! Agradeço-lhe também por ter salientado os esforços realizados por vários actores sociais que têm trabalhado, não apenas para a elaboração da Lei mas nos gabinetes de atendimento.
Como deve ser do seu conhecimento faço também parte do grupo que, desde 2000 e em representação do Centro de Estudos Africanos da UEM, onde trabalho desde 1980, preparou a elaboração da lei e agora organiza seminários para a sua divulgação, tanto com membros da sociedade civil, como com os profissionais da justiça.
Ontem quando recebi a sua msg estávamos reunidos com membros da sociedade civil da cidade e província de Maputo, para proceder à divulgação e discussão desta Lei, processo que já teve lugar em todas as outras províncias do país. O caso por si relatado foi também referido neste encontro.
Precisamos muito de homens com H como o Gilberto para nos apoiar nesta sinuosa, longa e difícil missão de mudar as concepções e práticas que estão na base da violência. De Homens e de Mulheres que acreditam que é possível mudar esta situação com o apoio de todos nós, do Estado, das instituições. Mudar a partir de nós próprios, do nosso exemplo de respeito, solidariedade, diálogo.
Bem haja!
Um forte abraço,
Isabel Casimiro
Olá Gilberto!
ResponderExcluirÈ importante mostrarmos sempre a nossa indignação e tomarmos atitude. O meu maior medo, é ver como a nossa sociedade começa a não reagir a isto, muito menos fica horrorizada. Isso é grave…. Sem nos darmos conta, parece que nos estamos a conformar com tudo isto. Eu fico feliz em ver que há uns e outros que não se conformam e usam os meios que têm para repudiar…
Estamos juntos!
Graça Samo
Solidarizo-me totalmente. É tempo de nós os homens pensarmos numa Organização de Homens contra Violência. O que acham? Não basta condenarmos, temos de fazer algo para compreender o que se passa e adoptar estrategias de luta.
ResponderExcluirUma braço para todas e todos
Jorga Joaquim Lampião
Um dos grandes problemas que temos em mocambique está resumido na cultura! Quando as nossas culturas étnicas ainda continuarem a serem relegadas para lado secundario, resultam os desvios nos homens e mulheres sem caracter, ai temos a escrupultidade em ambos lados! Condeno atitudes sem piedade. Agostinho Viana - Nampula
ResponderExcluirOlá.
ResponderExcluirQuero agradecer por me convidar a visitar o seu blog.
Fico muito sensibilizada por ser um homem a lutar por esta causa,mostrando ser um ser humano sensível e preocupado.
Na minha opinião,todo o ser humano é digno de respeito,pois a violência doméstica infelizmente também é exercida no homem,que sofre calado por vergonha.
A verdadeira mudança está na educação,"se educarmos as nossas crianças jamais será preciso castigar os homens"(...)
Infelizmente o ser humano é eleito como o animal racional,mas...não sei não...
CONTINUE,por si,por mim,por eles,PELA HUMANIDADE
OBRIGADA
R.M.CRUZ
Bom dia
ResponderExcluirSolidarizo me com a iniciativa, temos que desenvolver estrategia para emponderamento das mulheres contra a violencia.
Abraco
Filipe Tomas Boca
SOPROC' Rede de Proteccao da Crianca de Sofala
Estavams a precisar de coisas desta natureza para nos defenderms ou dar as nossas opinioes em relacao a esses covarde que agridem as mulheres, homens sem escrupulos. continua assim Gilberto. Abracos
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