Poligamia e Implicacoes da Uniao de facto
Poligamia e Implicações da União de Facto
Contacto Directo da TV Record Moçambique
Quero antes de mais parabenizar a TV Record Moçambique pelo seu Programa “Contacto Directo” que procura abordar questões sociais sem tabús nem preconceito.
Na sexta-feira do dia 11 de Setembro de corrente ano, assisti ao Contacto Directo que trazia 2 temas de fundo “Poligamia” e “implicações da União de facto”.
Os dois temas são sem dúvida muito apaixonantes tanto para muitas mulheres assim como para muitos homens pelo seguinte:
Poligamia
- As mulheres são as que sentem em primeiro o impacto negativo que advém da partilha do mesmo homem e a seguir os/as filhos/as. Claro;
- Para os homens, nada melhor que ter uma mulher sub-missa em todos os aspectos e isso faz os sentirem-se mais homens ou homens de verdade.
União de Facto
- As mulheres são as que sentem em primeiro lugar os impactos negativos que advém da união de facto e a seguir os filhos. Óbvio;
- Para os homens, nada melhor que uma mulher obedecer à todas as suas vontades e isso os faz sentirem-se mais homens ou homens de verdade, neste caso, não querem simplesmente oficializar a união na conservatória/registo civil.
Enfim, há muito mais que se possa dizer mas, como podemos notar com esta pequena leitura é que, estamos perante uma desigualdade de género onde o homem aparece como o que detém todo o poder e que por via disso tem o “direito” de fazer tudo quanto lhe apetecer contra um outro Ser (mulher) que diante das normas sociais estabelecidas, ela so deve obeceder, ter paciência, enteder o homem e como se não bastasse fingir ser feliz com tudo isto.
O programa Contacto Directo da TV Record Moçambique mostrou 4 casos reais de Maputo – Moçambique que estão ambrelados aos 2 temas em questão:
- Uma mulher que vive em regime de união de factos cujo o marido decidiu vender a casa deles;
- Uma mulher deixada à sua sorte com 3 filhos menores por um homem com o qual viveram em regime de união de factos e este estando actualmente a viver com uma outra mulher no mesmo regime já na vizinha África do Sul com a qual tem 2 filhos menores;
- Uma mulher viúva com 1 filho maltratada pela familia do marido falecido, arancada os bens dela, que obteve junto do marido falecido com o qual viveram em regime de união de factos;
- Dois homens com 2 mulheres cada, isto é, polígamos.
Ficou claro na reportagem do Contacto Directo, nos rostos destas 7 mulheres, pelas suas próprias palavras e suas expressões que, não era certamente com aquilo que estas sonhavam viver nesta vida onde tudo começou a mudar quando conheceram e passaram a viver com os homens “delas”. O interessante era a forma como os tais homens encaravam estas situações excepto o falecido. Obviamente!
- Os dois homens poligamos diziam que estavam felizes e suas esposas também, que eles eram “experientes” e sabiam fazer uma boa gestão da situação o que favorecia para um bom ambiente de convivência entre elas e eles. Por outro lado as mulheres ja não pensavam da mesma maneira e ficou claro que elas não estavam felizes com a situação.
- O terceiro homem, o que deixou a mulher com 3 filhos para viver e trabalhar na África do Sul com outra com a qual tem 2 filhos, mostrou muita insensibilidade perante o Juiz do Tribunal Comunitário ao dizer que não pode fazer nada porque não tem condições para tal, o mesmo que dizer “que ela aguente-se porque eu não estou nem aí” ;
- Mulher da casa vendida pelo marido, mostrava-se desesperada perante as camêras, assim como a mulher viúva enquanto isso a sogra não admitia os maus tratos que perpetrava contra a jovem mulher viúva, mas, para quem estava atento ela deixou cair a máscara quando lhe perguntaram sobre os bens que ela e seus filhos arancaram à jovem mulher viúva.
Agora, entramos na zona de conflito onde as mulheres desses homens sofrem e os homens dessas mulheres alegram-se.
Imagine! Se voce aparece a dizer que isto não está certo e precisamos de mudar, precisamos de respeitar os direitos humanos, da mulher porque só assim é que podemos construir uma vida mais harmoniosa com as nossas mulheres, só assim podemos ter mulheres mais felizes, nós podemos ser mais felizes do que somos actualmente. Imagine!
Mas Sim. Se na nossa vida e vivência, respeitarmos os direitos humanos, o que pressupõe tratar o outrém do mesmo jeito que gostariamos de ser tratados, isto é, antes de fazermos algo contra uma mulher pensarmos assim: se fosse eu a Mulher e ela o Homem, eu gostaria de ser feito isto?. Depois tomamos a melhor decisão.
Sei que algumas pessoas, sobretudo alguns homens que estão a ler este artigo devem estar a pensar/dizerem: - Este Gilberto deve estar louco, ou por outra – este Gilberto não sabe o que diz. Eu só recomendo que você faça essa reflexão fazendo-se a pergunta que coloquei anteriormente: Se eu fosse a mulher e ela o Homem. Eu Gostaria...?
Meus compatriotas, estamos aqui perante uma grave violoção dos Direitos Humanos e da mulher. Estamos perante um flagrante de violência contra a mulher. Falando em violência, à que recordar que existem vários tipos de violência dentre várias á física, psicológica, económica, estamos também perante um flagrante da desigualdade de género onde o homem tem maior poder e a mulher sem e as consequências disso.
Voltando a reportagem, acho que a intensão da Televisão foi boa, mas confesso que esperava mais do que vi naquele Contacto Directo porque o que mostraram é sabido por todos e não constitui nenhuma novidade no nosso país. Esperava por exemplo um aprofundamento na abordagem dos casos, com perguntas que fossem fazer aqueles homens reflectirem à luz dos direitos humanos os seus actos, que pedissem para que eles se fizessem a pegunta “Se eu fosse a mulher”, que mais consequências advém destas atitudes causadas pelos homens que de certa forma são legitimadas uma vez que, estão ambreladas pelas normas sociais e sobretudo as de masculinidade. Esperava muito mais... contudo, mais uma vez, está de parabéns a TV Record Moçambique pela intensão e espero poderem contribuir mais e mais para a redução das desigualdades de género e violência contra as mulheres que por consequência, as crianças também.
Oi Gilberto,
ResponderExcluirGostei de ler o teu texto de critica. Infelizmente não vi o programa – como não tenho tido chance de ver tantos outros. Por vezes vale a pena pegar nestes textos críticos e mandar para os órgãos de informação impressos (jornal) na pagina de opinião, isso permitiria que mais leitores tivessem acesso.
Há um deficit muito grande por parte dos apresentadores dos programas televisivos quanto dos demais comunicadores dos diversos órgãos de informação. Inúmeras vezes vemos frustradas oportunidades de fazer um óptimo programa – simplesmente por falta de capacidade de conduzir um debate, fazer uma boa entrevista. Não basta saber falar a língua e ter um voz bonita para apresentar um programa, é preciso ser capaz de explorar os assuntos em diversas vertentes.
Mas como dizes, valem as iniciativas. Talvez, um dos nossos papéis seria o articular com os órgãos de informação para influenciar as abordagens desses programas… produção de conteúdos, etc. O dilema é que da nossa parte há deficits de conhecimento, de tempo, etc…
Valeu!
Graça Samo
Directora Executiva
Forum Mulher
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Maputo, Mozambique
Bom dia Gil.
ResponderExcluirEspero que este lhe encontre em perfeitas condicoes. So hoje pude ler seu e-mail, pois nao tive acesso a este durante o fim de semana.
Concordo consigo e alegra-me muito saber que existem homens que pensam no bem estar das mulheres em todos aspectos. Mas e importante referir que, estamos num Pais viciado, em que poucas pessoas se desinteressam da area, ou seja, nao dao valor a estas sensibilidades todas.
Gil, muitas vezes, as pessoas que violam a estes direitos sao pessoas conhecedoras da lei.
Fui casada por tres anos, com um policia de formacao superior e hoje o mesmo se encontra trabalhando no Gabinete da Mulher e Crianca, vitimas de violencia domestica.
Na altura, eu vivia panico, ja sabe, sao poucas as mulheres que casam-se e que se as coisas nao corram bem tomam iniciativas de separar, devido as regras impostas pela sociedade em que vivemos.
Uma vez me espancou, e consegui escapar, mas quando fui meter o caso, os colegas ao invees de me atenderem como deviam ser, olharam simplesmente p mim e tentaram convencer-me a esquecer pois se tratava do seu chefe, pois na altura era oficial. e isso me fez perceber que nao se verificou a lei, mas sim a influencia que esta pessoa exercia.
Estou separada hoje, mas de um jeito muito estranho, isto e, fui abandonada sem motivos e ainda por cima roubada por um homem que tarbalha no Gabinete de Atendimento da Mulher e Crianca vitimas de violencia domestica. Dai que eu pergunto: O QUE SE ESPERA DESTE ATENDIMENTO OU DE PESSOAS IGUAIS QUE NO LUGAR DE LUTAR PELO BEM DESSAS MULHERES, SAO PRIMEIROS A VIOLAREM OS SEUS DIREITOS?
Neste caso, devemos unir nossas forcas e comecar a lutar, pois esta sera bem renhida, porem no fim o bem vencera. Conte comigo
Bom dia!
Francisca
Caro Gilberto,
ResponderExcluirMuito obrigado por partilhar isto. Concordo com as suas analises, e acho que o assunto devia ser abordado com maior abertura, para vermos o que isso significada para uma sociedade como a nossa. Acredito que o problema nao esta somente na lei, a falta de instrumentos e mecanismos para que a lei (incluindo os protocolos regionais e internacionais) seja implementada. Estou fora do pais, e gostaria muito de obter uma copia desse programa, se tiveres contactos na Miramar que nos possa facultar uma copia, gostaria de levar esse trabalho para a Cimeira do Genero e Comunicacao que vai ter lugar em Outubro, em Johannesburg. Estarei em Maupu na proxima semana.
Um grande abraco,
EN
Caro Gilberto
ResponderExcluirConcordo em absoluto consigo. Quando foi da aprovação da lei da familia pelo Parlamento foi eliminado o casamento por união de facto , o que prejudica masi de 50% das famílias que vivem em união de facto ( entende-se as mulheres).Muito já se disse sobre a poligamia e teos estudos neste sentido.
Um abraço
terezinha
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Terezinha da Silva
Coordenadora Nacional
WLSA Moçambique
Mulher e Lei na Africa Austral
wlsamoz@tropical.co.mz
coord.wlsa@tropical.co.mz
www.wlsa.org.mz
Caro amigo e companheiro Gilberto Macuacua, não tenho muito para dizer mais em primeiro lugar agradecer a sua atencão em relacão ao programa Contacto Directo, e dizer lhe que li atentamente o seu artigo e prestei muita atencão em relacão as suas observacões e recomendacões pois forão muito interessantes e parabens.
ResponderExcluirFico feliz também em saber que existem pessoas que acompanham atentamente o programa "Contacto Directo."
De facto os temas abordados esta sexta feira são sem duvida muito interessante pois ilustram algumas realidades dos nossos irmãos mocambicanos e dentre varios temas e assuntos o programa procura sempre abordar questões sociais sem tabús nem preconceito.
Quero informar a si e não só que as suas sujestões e recomendacões seram postas em pratica e continuaremos a dar o nosso maximo para oferecer o melhor aos telespectadores da TV. RECORD MOCAMBIQUE e em particular do programa Contacto Directo.
Continuem fies e não percam esta sexta feira a partir das 21h e 30 minutos o programa Contacto Directo e o tema da semana é SUPER-MULHERES.
Aguarde
José Macamo - Repórter do programa Contacto Directo ( Tv. Record Mocambique)
Exmo Sr. Gilberto
ResponderExcluirMuito obrigada por partilhar comigo esses factos. Triste sim, mas o desafio e dar a conhecer aos homens e as mulheres os seus direitos e deveres. Devemos disseminar a informacao sobre a legislacao sobre os direitos particularmente das mulheres. Pois, sem esse conhecimento torna-se dificil a convivencia equitativo e equilibrado devido a forca dos aspectos socios culturais, mitos particularmente nas zonas rurais. Ex: Fiz um trabalho Em Manica sobre o direito das mulheres a terra, agua e outros recursos naturais. Algumas mulheres diziam que estao a favor da poligamia para terem apoio no trabalho de casa particularmente o transporte de agua. Isto quer dizer a carga de trabalho das mulheres pode encorajar-las a aceitar a poligamia. Por isso e necessario uma analise profunda sobre estes aspectos todos ligados ao genero e diversidade.
Mais uma vez, muito obrigada
Catarina
Oi Betto! É de louvar a sua iniciativa, gostei muito realmente em Moçambique
ResponderExcluirmaioria dos homem ñ respeitam direitos de mulheres somos espezinhados agredidos
fisicamente e psicologicamente pior a mulher q nao trabalha . Continue com seu
projecto força amigo Moçambique precisa de pessoas como você um abraço.
Bom dia Francisca.
ResponderExcluirTive a oportunidade de ler a sua mensagem hoje domingo devido as minhas deslocacoes sem fim.
Sinto muito pela historia contada e que estas e viver.
Dizer que o tipo de atendimentos encontrados na maior parte dos servicos de violencia sao estes. Tive a oportunidade de fazer uma avaliacao nacional sobre isso, as colegas tem feito julgamento ao inves de ajudar a mulher que precisa de ajuda. E triste mesmo, e sao esses que tem dinheiro em nome de atendimento.
Forca, julgo que tens que sobreviver. Tens que viver a vida dando o valor que a vida tem. Uma coisa e certa, sua vida e indivisivel. Olha para si e diga, minha vida e somente minha e tenho que preservar.
Beijos querida
Marcelina Chai Chai
Ola Gilberto,
ResponderExcluirParabens pelo artigo, esta muito bom. E parabens por dispensar este espaco para discutirmos temas pertinentes para nossa sociedade.
O problema da violência contra mulher na sociedade moçambicana esta enraizado de tal forma que chego a pensar que não tem solução à vista.
É bom saber que existem iniciativas para combater este virus que enfatizam a questão da violência física, mas é nos abusos psicológicos que devemos prestar mais atenção pois a violência psicológica começa desde criança e dentro da propia familia.
É urgente a educação para mudança de atitude não só para os homens mas principalmente para as nossas irmãs, como ajudar uma mulher em situação de violencia doméstica se a propia familia à condena por o marido ter lhe espancado??? É muito triste saber como vive a maioria da mulher moçambicana, sem conhecimento algum de seus direitos e o pior é que as autoridades que deveriam velar por esses direitos tambem os desconhecem ou tem total desrespeito pela lei.
Mais uma vez Congrats
Um Abraco
boa noite
ResponderExcluirde mim e de maneira breve sugero ajuda .
sou jovem e tenho 2 filhos com uma jovem,tendo unidos em uniao de factos.mas o nosso relacionamento hoje nao e das melhores tendo contactos fisico,brigas e hoje ela ta gravida minha. pretendo eu me separa lo com ela devido as constates brigas
pesso ajuda