Reportagens sobre a violência doméstica em Moçambique


Reportagens sobre a violência doméstica em Moçambique

Fiquei muito preocupado ao ver um dos temas de destaque do Jornal da Noite da STV do dia 22 de Setembro de 2010 que dizia: “1.000 homens foram vitimas de violência doméstica” este ano em Moçambique.

Caros/as

A violência doméstica é um problema grave e que afecta muitos/as moçambicanos/as e não só. Vários esforços tendentes a eliminar este mal estão sendo levados a cabo pelo governo e várias Organizações da Sociedade Civil, ONG’s nacionais e internacionais e mesmo por pessoas singulares que se identificam com causa.

Há que salientar que, todos esses esforços, ainda são incipientes para o tamanho do problema em Moçambique mas, grandes avanços foram conseguidos por estes actores sociais que aproveito este espaço para congratular-lhes. Um dos grandes ganhos conseguido, é a aprovação da Lei de Violência Contra a Mulher no ano passado (2009) pela Assembleia da República e que já está em vigor neste momento na República de Moçambique. Esta lei protege a todos, tanto homens assim como mulheres.
Na realidade, as mulheres vítimas de violência são ainda em maior número comparativamente aos homens. Os últimos dados fornecidos pelos Gabinetes de Atendimento das Mulheres Vítimas de Violência dão conta de que só neste ano, foram atendidos cerca de 11.000 casos de pessoas vítimas de violência dos quais 1.000 são homens. Estes números correspondem apenas aos casos atendidos nestes gabinetes, arrisco-me a dizer que na realidade, os números são muitos mais elevados ainda, tendo em conta que a maioria da população moçambicana ainda não tem acesso a estes serviços. Portanto, 10.000 mulheres vítimas de violência doméstica não mereceram o destaque no jornal da noite da STV.

Por que será que a STV decidiu dar maior destaque a 1.000 homens ao em vez de 10.000 mulheres? Será que, os homens são mais importante que as mulheres? Tenho a sensação de que esta forma de apresentar os factos fortalece cada vez mais as correntes de desigualdade de género o que pode contribuir para a sua perpetuação. Não sei se a ideia era, chamar à atenção dos telespectadores para a reportagem todavia, acho que, a noticia seria mais sensibilizadora se tivesse destacado as 10.000 mulheres. Não quero com isto dizer que não devemos reportar casos em que o homens sofrem a algum tipo de violência, espero que intendam a minha preocupação. Até porque, os homens também sofrem violência mas, há que perceber que, a maioria desses homens são violentados por alguém que eles mesmos a violentaram antes. A mulher reage muita das vezes, a uma ou várias atitudes do homem e quando se chega a esse estágio, o homem esquece tudo o que fez contra ela e concentra-se no que está se passando naquele momento e aí fica-se com a ideia de que a mulher é que é o “mau da fita”. Não só o homem mas a sociedade também procede da mesma forma. A mulher é condenada 2 ou 3 vezes mais, quando comete um acto de violência contra um homem do que o contrário. Vezes sem conta, chegamos até a dizer que é normal o homem bater numa mulher. A maior parte dos homens violentados que procuram os gabinetes de atendimento queixam-se de terem sofrido a violência psicológica, do tipo, a mulher o abandou ou então ela deixou-o com os filhos e ele não está capaz de os criar sozinho,  pouquissimos são ainda aqueles que se queixam de ter sofrido uma agressão física. Ao contrário da mulheres muitas vezes procuram os gabinetes já num estado de saturação, onde já sofreram quase todas as formas de violência incluindo a física. Os Órgãos de Comunicação Social tem um papel muito importante na sociedade, tem a nobre tarefa de informar, educar e comunicar. Pelo que, exige-se deles a observância de alguns princípios no exercício das suas funções principalmente quando os assuntos são, problemas sociais bastante sensíveis tais como a Violência, o HIV/SIDA, e outros.

Gostaria de apelar aos comunicadores para que tomem a peito estes aspectos e sobretudo que se lembrem sempre de que, possuem uma ferramenta bastante poderosa para comunicar e estão numa posição privilegiada para estimularem mudanças, neste caso, mudanças de comportamento social de indivíduos.

Fico feliz quando estes casos sobre tudo de violência são denuncidos, falados, reportados, enfim, quanto mais trazidos à luz, mais atenção chamam e mais consciência também podem chamar dependendo da forma como eles são tratados.

Quero por isso, felicitar a STV e outros Media por procurarem trazer informações/notícias sobre este fenómeno e queria desde já, apelar para que se dê mais atenção ao mesmo, pesquisando mais, criando debates, difundindo informações que possam efectivamente contribuir para a consciencialização das pessoas, desde o camponês, operários, empresários, professores, políticos, etc.... e influenciar para adopção de políticas adequadas e sua operacionalização.

Todos nós somos chamados a contribuir para a redução das desigualdades de género e da violência.

Maputo, aos, 23 de Setembro de 2010
Gilberto Macuácua

Comentários

  1. Na maior parte dos casos,a causa principal sao ciumes,a mulher nao pode sair se casa,ter amizades...enfim.mas violencia domestica nem sempre e feita contra as mulheres.infelizmente conheci um caso em que o homem sofria violencia verbal e moral.um caso de puro sadismo,o objectivo principal era causar dor e tristeza ao companheiro...da medo de querer uma vida a dois!isto tudo porque e dificil decifrar o comportamento humano

    Zaina Dias

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  2. Amigo !
    Eu estou passsando por isso!Não me refiro da parte dele cometer, Agressões fisicas, mais, um terroriesmo psicológico que tem tirado a minha paz e creio eu, que ele seja uma pessoa que precisa de tratamanto psicológico mediante as torturas que tem fazendo...
    Para você ter uma rápida ideias dos fatos,ele hoje, resolveu bloquear todos os telefones de casa ,para eu não manter contatos com as pessoas....Isso é uma doença ,e uma forma de tortura psicológica!
    Mais entrei com todas as possibilidade de acabar com suas atitudes porque na Graças a Deus,a Lei Maria da Penha tem trazido bons resultados a esses covardees..

    Elisa Cristina França

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  3. Hello dear friends!
    Alo caros amigos!

    Please excuse my spelling grammar, is not often that i get to write in Portuguese. Yes is my first language but i have been in Australia for too long now:-).

    Bem disculpe-me pelo meu pobre portuguese mas nem sempre q escrevo em portuguse ja faz muito tempo q estou na Australia.

    Ok

    Olha não ha justificações para qual quer que seja a violenvia.
    Violencia pode ser em forma verbal, fisica, manipulações e control. Muitas vezes a mulher não se apercebe que esta na situação de abuso domestic porque ele e que trabalha e poe o pão na mensa e ela se sente na obrigação de não dizer nada ou nao ter voz em relação a qualquer idea ou asunto que involve dinheiro. Mas o que a mulher esquece e que ela na relação conjunta ou no casamento tem direito igual ao dele.
    Falo da mulher porque o numero das mulheres na situação de abuso domestico esta a scalar dia pois dia, o numero de homem a sofrer abuso é menor or inferior em fim violėncia e inaceitavel tanto para mulher, homem e especialmente para as crianças.
    Infelizmente não estou em Maputo e não tive a oportunidade de ver o tal programa na STV. Mas em fim eu sei muito da violencia pois cresci no meio de muita violencia mas gracas a Deus e determinação hoje estou a fazer a minha faculdade na Australia e espero que no fim das minhas aulas poderei voltar a Maputo para iniciar o meu projecto que de alguma forma involve ajuda as crianças contra a violencia.
    Tenho muito a dizer sobre este caso de violencia mas por enquanto a minha message as mulheres Moçambicanas é a seguinte:
    Procura se informar sobre os teus direitos e onde achar ajuda pois sem ajuda é dificil sair da violencia. Diga NÃO A VIOLENCIA

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  4. Não podia passar indiferente ao tema de violência doméstica, principalmente pela admiração do trabalho exercido pela Rede Hopem.
    Não vou focalizar o meu discurso na reportagem da televisão, em primeiro porque não vi a peça e em segundo, porque ainda estou a estudar o papel dos medias moçambicanos na desconstrução da realidade.
    Comentando especificamente a realidade ou utopia da violência doméstica, gostaria de partilhar a minha opinião.
    A violência doméstica em Moçambique é uma realidade, e alguns já acompanharam estudos que apontam para aspectos sócio-culturais, como a relações de poder, em que a mulher está subornada ao homem. Posso ser mais clara ao apontar algumas motivações que levam a mulher a sujeitar-se as agressões, tais como: dependência financeira, pressão social ou familiar para manter o casamento, e os filhos.
    Como mulher, não concordo que passemos a vida a lamentar que somos vítimas da violência doméstica, e começarmos a reflectir que nenhum homem cometeria violência física, psicológica, ou moral, se a própria mulher se demonstrasse disponível. A minha opinião fundamenta-se na teoria da acção social de Weber, em que o autor aponta para questão de que o poder apenas se exerce porque existe alguém apto a estar subordinado.
    Não temo que contrariem a minha opinião, ou que pensem que como mulher, não entenda o sofrimento das vítimas de violência doméstica, porque a minha opinião foi formada mesmo com experiência directa e indirecta da violência doméstica.
    O que pretendo trazer a tona é a reflexão de homens e mulheres para a responsabilidade, por tudo quanto fazemos e quanto acontece nas nossas vida. Que a mulher tenha consciência de que ela é principal protagonista nesta luta e que a partir do momento que disser não a violência e tomar as devidas medidas, como a denúncia, lhe chegara apoio e condições para continuar a batalha.
    Que os homens sejam os principais beneficiários dos programas de combate a violência doméstica, para preparar uma nova geração da família sem violência. Que as crianças tenham maior protecção e tolerância zero a todos os pais e encarregados que não protegem as crianças e justiça aos que abusam os direitos das crianças.
    Em cada luta apenas é necessário que cada soldado cumpra o seu papel, que cada um de nós decida se está dentro ou fora da luta contra a violência doméstica.

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