Homem Feminista em Moçambique


Homem Feminista em Moçambique

Alguns desafios de o ser

Ser Feminista, significa abraçar a causa que preconiza a igualdade de direitos entre o homem e a mulher.

Em Moçambique, os movimentos feministas tem sido compostos primariamente por mulheres advocando pelos dos direitos humanos das mulheres. De hà dois anos para cá, começaram a surgir alguns homens, ainda que em número reduzido, advocando para os mesmos propósitos.

Importa salientar que, estes movimentos alcançaram várias conquistas, dentre elas se destaca a aprovação da Lei contra a violência doméstica contra a mulher pela Assembleia da República em Julho de 2009, mesmo com uma caminhada que se mostrou bastante espinhosa, dura e difícil.

Ao contrário do que acontece em alguns países onde os homens e mulheres que integram estes movimentos, entram em choques profundos, em Moçambique a relação tem se mostrado saudável e apreciada pelas mulheres, o que favorece para um bom ambiente de trabalho e boa colaboração entre as duas partes.

Contudo, alguns desafios colocam-se diante dos homens feministas, a começar pela interpretação que tanto homens assim como mulheres dão aos discursos destes quando aparecem a defender a igualdade de direitos entre homens e mulheres ou mesmo a condenarem actos de violência perpetrados por certos homens contra as suas parceiras.

A partida, certos homens e mulheres mostram uma certa desconfiança sobre a masculidade dos homens feministas, porque no entender destes, os feministas são dominados pelas mulheres e não estão alinhados aos padrões “normais” de masculidades, levantando muitas vezes à questionamentos tais como:  Será que este é um homem normal? Será que ele é tem medo da mulher? Ele é dominado pela mulher?, enfim...

O outro desafio para alguns destes homens feministas é, quando as mulheres sentem que, possivelmente, é com este tipo de homem a quem podem recorrer para a solução de certos problemas de naturaza conjugal, muitas vezes, não é bem compreendido, tanto do lado dos parceiros das mulheres assim como das parceiras dos homens.

Nós consideramos absolutamente normal que esses homens e mulheres pensem desta maneira, pois, a forma como somos socializados orienta-nos a esta forma se ser, estar e ver as coisas.  Nascemos e crescemos, embuídos de uma série de normas que devemos seguir, umas direcionadas aos rapazes e homens e outras às raparigas e mulheres.

As normas de género rezam que, os homens, devem ser fortes, corajosos, dominantes, enfrentar riscos, executar trabalhos pesados, etc... enquanto que se espera que as mulheres devam ser obedientes, pacientes e comportadas. Espera-se igualmente que as mulheres executem taferas “leves”, se bem que nós, achamos que estas executam tarefas um tanto pesadas no fórum doméstico, como por exemplo: cuidar do marido e dos filhos, cartar água, apanhar a lenha, (o que pressupõe em algumas situações as mullheres terem que percorrer longas distâncias, exposta a sol forte, possivelmente com uma criança ao colo), e ainda assim, são vulgarmente apelidadas de “sexo fraco”.

A experiência mostra que, o discurso dum homem feminista num meio onde estão homens ou homens e mulheres tem tido resultados positivos, uma vez que, alguns homens rendem-se e mostram-se disponíveis para se juntar aos esforços conducentes à combate das desigualdades de género.

Infelizmente, são poucas as iniciativas direccionadas a envolver homens e mulheres na reflexão dos padrões actuais de género particularmente àquelas que tem algum efeito nocivo para o bem estar das mulheres, crianças, homens, famílias e da sociedade de um modo geral.

Um dia destes, um colega nosso interviu num episódio de agressão física perpetrado por um homem contra sua esposa. O agressor interpretou a atitude como se o colega tivesse um “caso” com a esposa uma vez que, no entender deste, aquela situação só dizia respeito ao casal e não deveria envolver terceiros e “estranhos”. É importante salientar que, este tipo de julgamento é extensivo às próprias parceiras de alguns homens feministas,  e isso constitui um desafio para estes.

Um outro colega, tem sido questionado pela sua mãe e irmãos pelo facto deste partilhar algumas tarefas domésticas com a sua esposa, tais como: fazer limpezas, cozinhar, lavar e engomar a roupa. O casal afirma que vive uma relação harmoniosa que em parte resulta desta partilha de tarefas e afirma igualmente, passar mais tempo junto, conversando sobre os seus projectos de vida. A esposa relata exercer menos esforços físico, ter mais disponiblidade de tempo para fazer o que gosta e sente-se mais amada dentre outras coisas boas.

A mãe e os irmãos acham que ele, está sendo dominado pela esposa, e que ela está usando a “magia negra” para exercer este domínio pois, a expectativa individual e familiar é de que, este tipo de tarefas só devem ser executados por mulheres. Este facto, tem estado a gerar uma desarmonia entre o casal e a família do esposo. Este tipo de situação, remete-nos a concluir que, mostram-se necessárias intervenções que utilizam uma abordagem transformativa e integrada capaz de auxiliar o indivíduo (homem ou mulher), a família, a comunidade e a sociedade no geral a conhecer os prejuizos associados à certos padrões de género, assim como as benefícios que podem advir da adopção de formas mais equitativas de ser e estar entre homens e mulheres.

Por: Gilberto Macuácua & Celma Menezes
Maputo, aos, 13 de Outubro de 2010.

Comentários

  1. Gilberto,
    Leste o artigo do Noticias sobre a menina que foi presa por ter feito aborto? Estou fora do pais, mas pude ler essa reportagem na internet e achei-a de muito mau gosto, e expoe a rapariga de tal maneira rude e mais do que ja sofreu com as razoes que a levaram a fazer o aborto, tem ainda que carregar o fardo da discriminacao e a penalizacao pela policia. Mais uma prova de que a Lei que penaliza o aborto so penaliza as mulheres. Neste caso, o rapaz esta free e eventualmente a rir com os amigos, mas a rapariga esta agora a pagar por algo feito a dois.
    Um abraco,
    Eduardo

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  2. Caro Gilberto,

    Gostei muito do teu artigo, de facto espelha o que acontece diariamente na nossa sociedade. Há uma ideia pre-concebida de que o Homem que ouve a esposa quando ela diz "vamos" ou "vem" ou "não" ou "faz" está na "GARRAFA".

    Caro Namburete,

    Também li o artigo. Fiquei igualmente chocada com a forma como as coisas são tratadas, sobretudo pela imprensa. Acho que é importante fazermos uma análise dos factos e ver sempre integradas as questões de cutura, género e direitos humanos. O rapaz, que é maior de idade e um dos responsáveis pelo facto está impune, nada lhe vai acontecer. Já a menina (apesar de eu ser contra o aborto) está nas mãos da justiça e a ser tratada como uma verdadeira vilã, quando ela também é vitma de todo um sistema que funciona como cada um entende. Os comprimidos que ela tomou estão mais do que acessíveis a qualquer rapariga que queira cometer o mesmo acto, em quaquer local encontras. Agora pergunto, de quem é a culpa nisto tudo? A menina? A cunhada (uma das supostas cumplices),o fornecedor dos comprimidos?, o namorado da menor?

    Até agora a única culpada é a rapariga, porque ela é que ficou grávida, ela é que arranjou o homem errado, ela é que quiz abortar. Resumindo, sempre sobre para a mulher...

    Contribuíndo,

    Nilza Chipe

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  3. SOCIEDADE MACHISTA. ISTO ACONTECE NO MUNDO TODO. MAIS EM ALGUNS LUGARES QUE OUTROS, MAS ACONTECE.
    LINDO TEXTO.
    GOSTEI DO SEU BLOG. VI OS VIDEOS.
    BEIJOS
    VÂNIA

    ResponderExcluir
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