SITUAÇÃO DA MULHER RURAL EM DEBATE
Em
Nova York
Por:
Gilberto Macuácua - de Nova York para o Semanario SAVANA
“ Se as mulheres rurais tivessem
acesso igual aos recursos produtivos, a produção agrícola aumentaria e a fome
diminuiria, mas a realidade é que as mulheres e raparigas rurais têm acesso
restrito à terra, insumos agrícolas, serviços de finanças, extensão e
tecnologia. As mulheres rurais também enfrentam mais dificuldade de acesso aos
serviços públicos, a protecção social, emprego, e mercados”. Disse Asha-Rose
Migiro, Vice-Secretária-Geral da ONU
Teve
início esta segunda-feira, dia 27 de Fevereiro a quinquagésima-sexta sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW). Este encontro, junta 47 estados-membros da
ONU. A delegação de Moçambique, encabeçada pela Ministra da Mulher e Acção Social Iolanda Cintura, faz-se
representar por algumas instituições do Governo e da Sociedade Civil e é
composta por 27 pessoas.
Este
encontro, vai decorrer até ao dia 9 de Março na sede da ONU em Nova Iorque. O
tema principal da sessão é o “reforço do poder e capacitação da mulher rural e
o seu papel na erradicação da pobreza e da fome e o seu contributo para o
desenvolvimento e os desafios do presente”.
Na sessão
de abertura, A Diretora Executiva da Entidade das Nações Unidas para a
Igualdade de Género e o Empoderamento das Mulheres (ONU-Mulheres), Michelle
Bachelet disse que se às mulheres rurais for dado o acesso aos meios de
produção, tais como ferramentas, sementes, entre outros, “o produto agrícola
nas áreas mais pobres do globo poderia aumentar até 4% o que reduziria o número
de pessoas com fome em 17 %”. Michelle Bachelet afirmou que este será um tema
central a ser debatido também na conferência da ONU sobre desenvolvimento
sustentável Rio+20 que vai ter
lugar em Junho deste ano.
Bachelet,
lembrou ainda que o empoderamento das mulheres exige uma transformação na forma
como os governos elaboraram orçamentos e fazem cumprir as leis e políticas,
incluindo as comerciais e agrícolas, além do modo como as empresas investem e
operam. De acordo com a ONU Mulheres, as mulheres rurais constituem um quarto
da população mundial. Cerca de 86% da população mundial rural de ambos os sexos
deriva seu sustento da agricultura, com cerca de 1,3 bilhão de pessoas
envolvidas na agricultura de pequena escala.
Por
seu turno, a Vice-Secretária-Geral da ONU, Asha-Rose Migiro, pediu a criação de
estratégias sistemáticas e abrangentes para empoderar mulheres nas zonas rurais com o intuito de maximizar o potencial
dessas mulheres combatendo a pobreza e a fome, além de ajudá-las nas práticas
de desenvolvimento sustentável em suas comunidades. Para Migiro, Se as mulheres
rurais tivessem acesso igual aos recursos produtivos, a produção agrícola
aumentaria e a fome diminuiria, mas a realidade é que as mulheres e raparigas
rurais têm acesso restrito à terra, insumos agrícolas, serviços de finanças,
extensão e tecnologia. As mulheres rurais também enfrentam mais dificuldade de
acesso aos serviços públicos, a protecção social, emprego, e mercados.
A
Ministra da Mulher e da Acção Social de Moçambique Iolanda Cintura que também participa
nesta reunião, disse em Nova York, em entrevista ao SAVANA, que a situação da
mulheres rurais no país ainda não é a desejável tendo em conta os vários
desafios que enfrenta e que sistematicamente as colocam em desvantagens
nomeadamente a falta de conhecimentos de tecnologias adequadas para prática de
agricultura, falta de acesso ao crédito para melhorarem as técnicas de
produção, os baixos níveis de educação formal, a violência doméstica e o fraco
acesso e control da terra apesar de Moçambique ter políticas e leis que colocam
o homem e a mulher em pé de igualdade, mas a realidade mostra que as normas
costumeiras prevalecentes no nosso país, tem tendências a dar maiores
benefícios aos homens em detrimentos das mulheres.
Para
responder as estes desafios, segundo Cintura, existem vários programas que
estão a ser implementados pelo governo de Moçambique dentre eles o programa de
educação de adultos onde as mulheres são sensibilizadas sobre a importância da
educação nas suas vidas, a alocação do fundo de desenvolvimento do distrito (os
sete milhões) o qual elas também se benecifiam e os programas de capacitação
das mulheres em gestão de negócios e implementação de projectos. O trabalho de
sensibilização extende-se igualmente a homens como forma de envolve-los nos
esforços que visam ao empoderamento da mulher mostrando a eles os benefícios
que traz para a família uma mulher participar de forma mais activa com os seus
rendimentos o que melhoria a qualidade
de vida da família, a educação das crianças e melhoria de outras áeras da vida
desta e das pessoas que a rodeia.
O
Savana pediu a Ministra para apontar alguns os avanços alcançados pelo país
olhando para a mulher rural e ela respodeu que, a mulher rural tem estado a
participar nos Conselhos Consultivos do Distrito, que são os órgãos que tomam
decisões sobre as questões essenciais aos níveis da comunidade e distrito
embora reconheça que ainda não é satisfatório, as mulheres ja participam nos
programas de educação de adultos, elas juntam-se em associações para
desenvolverem uma determinada actividade que seja social ou de geração de
rendimentos reconhecendo nesta área também que há ainda muito por ser feito, as
mulheres juntam-se também para relsolverem problemas da falta financiamento através de sistemas simples como o de crédito
rotativo, as mulheres tem mais
conhecimentos sobre os produtos que existem localmente e o seu valor integral
fruto de vários programas implementados tendo em vista melhorar a situação
nutricional das comunidades e geração da renda.
O
Savana questionou uma vez mais a Ministra o sobre: Será que as mulheres que
estão nos órgãos de decisão nas zonas rurais defendem realmente os problemas
das outras mulheres tendo em conta o maxismo prevalecente na sociedade
moçambicana?
Para a
Ministra, o importante neste momento é que elas já estão lá e que com tempo elas poderão mudar. afirmou ainda que
elas defendem, porém é necessário mais trabalho com elas porque a forma como
foram educadas constitui também uma barreira e as atitudes formatadas pela
sociedade não se mudam de um dia para outro, é um processo longo, elas precisam
de uma maior capacitação, trazer mulheres que podem servir de modelos para
elas, intensificar a consciecialização para que elas sintam que são capazes de
participar nas discussões de forma igual com os homens, mas também
consciecializar os homens para esta causa, até porque, dos oito Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio (ODM) o objectivo número três versa sobre a promoção
da igualdade de género e empoderamento das mulheres e as Nações Unidas colocam
este objectivo, como o principal para se alcançar os restantes sete.
Comentários
Postar um comentário
Comente aqui: