ISTO É SER HOMEM TAMBÉM - Por Filipe Tumbo, Activista Social

O mundo atravessa neste momento uma das piores fazes da sua história caracterizada pela pandemia da COVID19 que tem dizimado milhões de vidas.

Para prevenir o rápido alastramento e minimizar os impactos desta doença, vários países têm optado pela adoção de medidas de distanciamento e isolamento social.

No entanto, apesar de ser uma medida necessária e acertada, experiências indicam que quando isoladas as pessoas tendem a ficar mais ansiosas e estressadas o que pode contribuir para o recrudescimento e aumento da Violência doméstica nas famílias.  
Experiências indicam ainda que as mulheres têm sido as maiores vítimas de violência doméstica devido a vários factores como as práticas culturais, por exemplo os ritos de iniciação, as uniões prematuras e o lobolo, que subalternizam o papel social destas reduzindo-as a meros objectos de satisfação sexual masculina e garante da continuidade da espécie; as desigualdades do poder que reduz o papel da mulher ao espaço doméstico; o patriarcado que educa os homens para serem viris e autossuficientes; entre outros.

Em todos cantos do mundo há relatos de aumento do número de divórcios e de denúncia de mulheres vítimas de violência doméstica.  Por exenplo, na China,  tem sido noticiado que desde o surgimento da COVID19 e decretada as medidas de confinamento, o número de divórcios dispararam naquele país.  No Brazil, o número de denúncias de violência doméstica aumentou em cerca de 50%. Em Moçambique não temos dados sobre a situação, mas a media tem reportado várias situações de violência nas famílias contra as mulheres desde que foi decretado o estado de emergência.   

Uma das razões que explicam este aumento tem a ver com o contacto durante muito tempo entre a vítima e seus agressores no mesmo espaço de convivência, o impacto económico do confinamento nos agressores o que pode contribuir para que estes se tornem mais violentos e os demais factores anunciados acima. 

Para reverter o quadro, é preciso adoptar medidas e acções que contribuem no combate as assimetrias de Género,  consciencializar os homens dos males da Violência sobre as mulheres e sobre eles mesmos, mobilizar os homens para desafiar e questionar as normas de Género vigentes através da sua participação activa em espaços que eram considerados de domínio das mulheres e mobilizar os homens para participar no planeamento familiar e na educação das crianças durante e após o estado de isolamento social. 

Foram estas mensagens que orbitaram a minha intervenção no programa "O Despertar" na Stronglive TV, no âmbito da Campanha "Isto, é ser homem também" levado a cabo pela Rede Homens pela Mudança- HOPEM na sua nobre missão de contribuir na construção de um mundo igualitário entre homens  e mulheres, despido de preconceitos e estereótipos de Género.

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