*UM MÊS AMPUTANDO PÉNIS*

Há 3 semanas, num grupo de colegas da área médica, o mote da discussão era o facto de eu ter realizado duas cirurgias de amputação do pénis em dois jovens de menos de 30 anos, por apresentarem cancro do pénis. Este cancro é, essencialmente, uma doença infeciosa que é causada por um vírus (HPV), o mesmo que causa o cancro do colo uterino.


Durante esta reflexão não se imaginava o que estaria por vir. Na semana passada foram feitas mais amputações ao pénis de mais dois jovens, e nesta quarta-feira, a de um outro jovem. Enquanto escrevo, um meu colega prepara uma outra amputação peniana a um jovem. E por incrível que pareça, ainda existem doentes na enfermaria a espera de semelhante procedimento. 


Portanto, neste mês, e em todas as semanas, foram feitas amputações penianas. Isto demostra o quanto se está a falhar na provisão de conhecimentos e capacitação dos homens para lidarem com esta doença, mas também, por outro lado, a falha, enquanto indivíduos, em aceitar que tabus e preconceitos sociais impeçam que se recorra a ajuda médica quanto cedo.


A característica comum de todas as amputações reside no facto de serem sido feitas a jovens de menos de 30 anos, sendo alguns deles abaixo dos 20 anos, comprometendo, sobremaneira, a qualidade de vida dos mesmos, e com severas implicações sociais, psicológicas e até económicas.


Embora seja uma doença cuja prevenção está ao alcance de todos (higiene íntima, circuncisão, recurso aos meios de prevenção de infeções de transmissão sexual como o uso de preservativos), e face ao relatado, urge que se avance na protecção da saúde dos homens. Para o efeito, é vital o reforço de informação, conhecimentos básicos e de condições para o trabalho de foco preventivo e de tratamento sobre as enfermidades que afectam a saúde masculina, em particular as de cariz sexual. 



Infelizmente, não se está a avançar nesta direção e para um cancro facilmente previsível, como o caso do cancro do pénis cuja prevenção passa pela higiene íntima, requerendo a lavagem adequada do pénis, do prepúcio e da glande, e que se evite a humidade na região íntima. 


Uma outra forma de prevenção é a circuncisão – que consiste na remoção da pele que é propensa ao vírus - e o recurso a métodos de prevenção das infeções de transmissão sexual, nomeadamente o uso de preservativos, entre outras formas recomendadas. 


Todos estes métodos são de conhecimento generalizado e estão à disposição de todos. O que falta? Certamente a consciência da gravidade desta doença bem como a força e a coragem para a adoção de estilos de vida saudáveis em prol da própria protecção da saúde do homem como a da família.


Por último, e não menos importante, é imperioso que cada um de nós não seja o próximo a ser amputado o pénis. Evitar que assim seja, é seguramente um acto de cidadania e de elevada responsabilidade pelo seu bem-estar, da sua família, e de toda a sociedade.  


Bem hajam!

Nelson Tchamo, Urologista

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